A importância da família para a reinserção social do dependente químico

Dados estatísticos do Relatório Mundial sobre Drogas de 2018 demonstram que os períodos da adolescência precoce (12 a 14 anos) e da adolescência tardia (15 a 17 anos) são de extremo risco em relação ao início do uso de substâncias psicoativas.

Ademais, os resultados das pesquisas indicaram que essa situação pode atingir o pico entre os jovens com idade entre 18 a 25 anos. Essa problemática só enfatiza o quanto os familiares e as boas relações são fundamentais, pois podem prevenir que o indivíduo use drogas ou o ajude a retomar a vida social após o tratamento contra o vício.

É fato que uma família bem estruturada emocionalmente e nas relações entre os seus componentes têm papel fundamental para que a reintegração do indivíduo à sociedade seja bem-sucedida. A reinserção é um processo complexo, o qual envolve diversos fatores, como a insegurança do dependente, a desconfiança da sociedade, a dificuldade para encontrar emprego, entre outros.

Nesse sentido, o seio familiar tem uma essencial atribuição: fazer a pessoa se sentir parte de um grupo, pelo qual ela pode ser amparada nos momentos de dificuldade. O acolhimento da família vai desencadear no indivíduo dependente químico o sentimento de pertença. Logo, saber que não está solitário nessa batalha contra o vício é condição eficaz para revitalização.

Outra função da família é a de orientar o usuário de drogas. É natural que o paciente se sinta perdido quanto às suas ações, pois se encontra em um processo de recomeço. Assim, os que estão ao seu lado o fará compreender que a reinserção social é algo lento e gradativo, que requer força de vontade para superar seus receios e estigmas.

Também é necessário distanciamento das tentações e implementação de uma rotina congruente com os objetivos do tratamento. Nesse momento, os valores éticos e morais, que foram ensinados no seio familiar desde a infância devem ser retomados, para que a pessoa os aplique como ser social e tenha o retorno esperado.

Nessa luta conjunta, os entes queridos, sobretudo os pais, precisam passar também por um acompanhamento adequado, o qual visa, além do apoio psicológico, ensiná-los a compreender as variáveis dessa retomada, a saber dialogar nos momentos de adversidade e a estabelecer uma relação de confiabilidade, pois esses são elementos indissociáveis desse trabalho de recomeço do indivíduo.

Àqueles que convivem diretamente com o dependente de substâncias psicoativas são fundamentais e aumentam consideravelmente as chances de superação do vício e reconstrução da vida em sociedade. A solidariedade é condição imprescindível, em que a compreensão e o afeto devolvem ao usuário a esperança de dias sóbrios.

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